OS PERIGOS DA PRIVAÇÃO DO SONO DURANTE AS FESTAS DE FINAL DE ANO
ACADEMIA BRASILEIRA DE NEUROLOGIA FAZ UM ALERTA PARA ESSE PERÍODO DE FESTAS
As festas de final de ano estão chegando e com elas passeios e longas viagens. Devido o grande fluxo de veículos nas rodovias de todo o país, a atenção não deve ser centralizada apenas na manutenção dos automóveis e checagem de equipamentos, estar com o sono em dia deve ser uma das principais preocupações daqueles que estão atrás do volante.
Segundo Andrea Bacelar, neurologista do departamento de Sono da Academia Brasileira de Neurologia, “durante as horas em que dormimos, nosso cérebro é capaz de se restaurar para o próximo dia que está por vir”. É nesse momento que o organismo produz hormônios essenciais para o bom funcionamento do corpo como um todo e, inclusive, deixa de ativar alertas para que alcancemos fases profundas do sono. Somente dessa maneira é possível que as estruturas estejam preparadas para proporcionar bem estar físico e mental ao acordar.
No Brasil, em média, 60% dos acidentes de transito são causados por motoristas que apresentam cansaço ou sonolência. Isso confirma que, em situações de sono e fadiga, indivíduos têm funções como concentração, atenção, agilidade mental e raciocínio comprometidas. Ou seja, deixar travesseiros e lençóis para depois às vésperas de quilômetros de viagens prejudica significativamente as ações cerebrais, tornando o individuo mais lento e sujeito a causar e envolver-se em pequenos e até mesmo grandes acidentes.
O ideal é que, independente do horário que escolhemos nos deitar, aconteça de 7 a 8 horas de sono. Com corpo e mente descansada, recorrer a estimulantes externos como a cafeína e energéticos é dispensável. E não se engane! Eles não são sinônimos de resultados duradouros. “A cafeína, por exemplo, perde sua ação no organismo em pouco tempo e após esse período o sono volta com ainda mais força”, garante Andrea Bacelar.
Entenda:
Fugir voluntariamente desses importantes períodos de sono altera o metabolismo. Para Andrea Bacelar, a privação voluntária aguda, na qual o individuo decide realizar outras atividades no horário em que o relógio biológico estaria preparado para entrar em repouso tem conseqüências imediatas tais como cansaço, sonolência, irritabilidade e reflexos diminuídos, além da falta de vigor físico e muscular.
O problema, no entanto, é que esta privação deixou de ser eventual. Todas às vezes que se altera o horário biológico do sono, essa adaptação voluntária resulta também em problemas mais sérios a médio prazo, já que há uma mudança permanente de hormônios e proteínas. De acordo com a neurologista, essa alteração no metabolismo reflete até mesmo na regulação da saciedade e fome. “Dormir por um tempo adequado restaura o metabolismo, regulando a gordura corporal e o ganho de peso.” O sistema imunológico, por sua vez, fica mais vulnerável a infecções e as vacinas deixam de ter o mesmo efeito.


