ESTUDO REVELA O QUE LEVA O INDIVÍDUO A TER DOR DE CABEÇA EM DIFERENTES REGIÕES DO BRASIL

Na região Sul e Sudeste, o estresse leva ao desenvolvimento de dor de cabeça. Nas outras regiões, o sistema de saúde

 

Uma pesquisa feita pelo pesquisador Luiz Paulo de Queiroz e um dos destaques do Congresso Brasileiro de Cefaleia, revela que existem diferentes razões para o desenvolvimento de dores de cabeça em diferentes regiões no Brasil. Tal estudo demonstra como o sistema de saúde público deve agir em cada região ao entender os reais motivos que desencadeiam as dores. Foram entrevistados 3848 sujeitos das cinco regiões do País.

 

Na região Sul e Sudeste, o estilo de vida mais estressante e competitivo faz com que os indivíduos destas regiões desenvolvam dores de cabeça. Na primeira fase da pesquisa do Dr. Queiroz foi constatado prevalência de enxaqueca em 20,5% da população do Sudeste e 16,4% no Sul. Na cefaleia crônica diária, as duas regiões têm taxas de prevalência de 6,2%.

 

Outro aspecto curioso é em relação aos fatores genéticos. Nos estudos epidemiológicos realizados no resto do mundo, a prevalência de enxaqueca é maior na Europa, América do Norte, América do Sul, Ásia e África. Segundo o censo brasileiro, os habitantes do Sul e Sudeste têm uma maior proporção de pessoas com ascendência europeia, e os das outras regiões, maior proporção de descendência africana. Na análise de Queiroz, esta pode ter uma influência provável.

 

Nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, a pesquisa demonstra claramente a influência de um sistema mais precário de saúde pública nessas regiões, pois os indivíduos que têm cefaleias episódicas, se não diagnosticados e tratados adequadamente, evoluem para cefaleia crônica diária. A prevalência de enxaqueca é de 9,5%, 8,5% e 13,6, respectivamente, e de cefaleia crônica diária, 11,8%, 10,2% e 7,7%.

 

“Este estudo confirma a grande prevalência das dores de cabeça na população brasileira. As cefaleias são um verdadeiro problema de saúde pública, causando um grande sofrimento para a população e gerando gastos significativos, não apenas para a própria pessoa e sua família, mas para toda a sociedade, pois a perda de horas\dias de trabalho é muito grande. Todos os médicos, e não apenas os neurologistas, deveriam saber como diagnosticar e bem tratar estes pacientes, pois não há neurologistas\especialistas em cefaleia suficiente para atender todos os pacientes atingidos por este problema”, explica Queiroz.

 

Esta pesquisa será apresentada no Congresso Brasileiro de Cefaleia, que acontece entre os dias 13 e 17 de setembro no Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo.

15.09.2011 Sociedade Brasileira de Cefaléia