SOCIEDADE BRASILEIRA DE CEFALEIA APOIA AÇÃO MUNDIAL POR POLÍTICAS PÚBLICAS CONTRA A DOR DE CABEÇA
As campanhas são promovidas pela Organização Mundial de Saúde e pela ONG Lifting the Burden com outras entidades de
No Brasil, a prevalência da dor de cabeça crônica, que acomete o indivíduo mais de quinze dias no mês, é de quase 7% da população. Já o custo da enxaqueca ao sistema público de saúde do país ultrapassa US$ 140 milhões anuais, cálculo com base no valor gasto com o atendimento, drogas preventivas, custo de tratamento e internações. Nos países desenvolvidos, devido a enxaqueca, são perdidos 400.000 dias de trabalho ou estudo para cada 1 milhão de habitantes.
“O objetivo da campanha da Organização Mundial da Saúde e da ONG inglesa Lifting the Burden intitulada “The Global Campaign against Headache” é conscientizar as instituições de saúde e a população para tratar a dor de cabeça de forma correta e, com isso, reduzir os casos, o gasto com tratamentos paliativos e o uso abusivo de analgésicos”, explica Dra. Jerusa Alecrim Andrade, médica especialista em Acupuntura e membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe). Para isso, a Sociedade coloca seus membros à disposição para fornecer maiores esclarecimentos sobre a doença e contribuir para a formulação de políticas públicas com foco no diagnóstico e tratamento da cefaleia. “Vamos buscar um diálogo com o Ministério da Saúde para estruturar cursos de qualificação para profissionais da área visando identificar e tratar corretamente o paciente com dor de cabeça”, explica Dr. Marcelo Ciciarelli, presidente da Sociedade Brasileira de Cefaleia. A SBCe planeja realizar cursos sobre o tema para o público leigo.
Segundo o Dr. Luiz Paulo de Queiroz, neurologista da SBCe, os impactos econômico e não econômico das cefaleias em nosso país são muito maiores do que podemos imaginar. A perda de produtividade no trabalho é o mais evidente, pois cerca de 20% das faltas se devem à enxaqueca. Para o Dr. Marco Antonio Arruda, neurologista da Sociedade, por causa da cefaleia, 35,8% das crianças e adolescentes brasileiros são dispensados da escola pelo menos um dia por ano e 53,5% deixam de ir à escola porque estão com dor. “Com isso, analisando apenas aqueles que têm cefaleia crônica, são perdidos no Brasil, mais de 1,5 milhões de dias de aula por causa da dor de cabeça”, contabiliza Dr. Arruda.
Pesquisa coordenada pelo neurologista mostra que quase dois milhões de crianças e adolescentes brasileiros sofrem com dor de cabeça crônica e mais da metade delas faz uso abusivo de analgésico. É considerado abuso quando ingeridos mais de duas vezes por semana. “Em muitos casos os pais são permissivos e as crianças têm acesso aos medicamentos. Esse excesso pode aumentar a frequência das dores de cabeça, torná-la crônica e ainda afeta os rins, o coração e o trato digestivo”, explica. O maior consumo de analgésicos faz com que o cérebro diminua a produção de endorfina e piore a enxaqueca.
“Estudos estimam que a cefaleia seja a 10ª patologia mais debilitante do mundo e mesmo assim ainda é pouco reconhecida e diagnosticada. Os governos precisam reconhecer e dar importância a esse grande problema de saúde pública”, afirma Dra. Jerusa.


